2010-09-8
“Ave pesquisada”
Data:
09/09/2010
O jornalista da Folha de São Paulo, Josias de Souza, publicou ontem o seguinte artigo sob o título "Xeretagem fiscal alcançou também o genro de Serra". Leiam e tirem suas próprias conclusões.
"Menos de 24 horas depois de Lula ter aparecido no programa de Dilma Rousseff para acusar José Serra de recorrer à baixaria, sobreveio uma novidade. Também o CPF de Alexandre Bourgeois, genro do presidenciável tucano, foi bisbilhotado na agência da Receita em Mauá (SP). Deu-se em 16 de outubro de 2009, oito dias depois do acesso feito aos dados fiscais da mulher de Alexandre, Verônica Serra, e de outros tucanos. De novo, a violação ocorreu na máquina da servidora Adeildda Ferreira Leão dos Santos. Aquela cujo advogado diz ter cumprido "ordens superiores". É apenas mais uma evidência de que, no ninho de violações de Mauá, o tucano Serra era, por assim dizer, uma ave pesquisada. Ali, descortinaram-se os sigilos da filha e do genro de Serra. Abriram-se os dados de Eduardo Jorge, vice-presidente do partido dele... Apalparam-se as informações de Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC e amigo do candidato... Perscrutaram-se os números de Gregório Marin Preciado, marido de uma prima de Serra e ex-sócio do tucano num imóvel... Varejaram-se as declarações de Ricardo Sérgio, ex-coletor de arcas de Serra. Sem contar um sócio de Ricardo, já morto. O fisco se esforça para diluir as plumas de Mauá num caldeirão em que se misturam 2.949 contribuintes violados na máquina de Adeildda. Porém, tornou-se impossível disfarçar a fixação por Serra. Para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o caso é de "polícia". De fato. Mas o pano de fundo é indisfarçavelmente político. É uma pena que, no discurso da véspera, Lula não tenha pronunciado palavra sobre o mérito da encrenca que rói as entranhas do fisco. Responsabilizada pelo delito, a servidora Adeildda Ferreira Leão dos Santos afirma que cumpria ordens superiores. Adeildda falou por meio do advogado, Marcelo Panzardi. A voz dele soou no meio de reportagem exibida no início da madrugada desta quarta (8), no 'Jornal da Globo'. "Internamente, ela estava cumprindo ordens da chefia e de pessoas superiores a ela", disse o defensor de Adeildda. "O que provavelmente ela imaginava é que esses superiores e a própria chefe estavam munidos de procuração". Segundo o advogado Panzardi, ao buscar os dados de tucanos no sistema da Receita, sua cliente supunha que agia dentro da lei. Por quê? Para ela, os "superiores" teriam em mãos procurações dos contribuintes, autorizando os acessos. "Não cabia a ela questionar isso", disse o advogado.
A versão de Adeildda se choca com a de Antonio Carlos Costa D'Ávila, corregedor-geral da Receita. Responsável pela investigação do caso na esfera administrativa, D'Avila dissera que havia no escritório do fisco em Mauá (SP) um "balcão de compra e venda" de dados. Segundo ele, as informações fiscais sigilosas eram liberadas mediante "pagamento de propina". É mole ou quer mais?
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