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A arte da vida
Data: 10/08/2008

Desde os oito anos, Paulo Roberto Silva Santos (51), pratica artes marciais, mas conheceu o Tai Chi Chuan aos 13 anos, começando a praticá-lo em 1985, no Rio de Janeiro, trazendo a arte para Sergipe cinco anos depois, onde começou a ensiná-la no Studium Dança. Em 2000, ele e outros adeptos do Brasil inteiro fizeram um grupo e partiram para uma qualificação na China, onde estudaram com vários mestres, nas mais tradicionais escolas de Tai Chi Chuan (Escola Yang em Hangzou com a mestra Chen Hai Min e A Escola Acadêmica da Universidade Popular da China ligada à Associação Chinesa de Artes Marciais reconhecida pelo Governo Chinês). "Em 1999, antes da viagem conheci o grão mestre Chen Xiao Wang (líder da Família Chen), descendente direto de Chen Wanting, criador do Tai Chi Chuan, que me impressionou com sua habilidade e conhecimento profundo da filosofia". Nos últimos dias 2, 3 e 4 de agosto, Paulo participou do1º Seminário Internacional de Tai Chi Chuan, no Rio de Janeiro, ministrado pelo mestre Chen Yingjun, filho de Chen Xiao Wang, da 20ª Geração da família Chen. Para entendermos melhor o que significa essa arte tão cultuada nos nossos dias, entrevistamos Paulo, que nos revelou entre outros detalhes, quem pode praticá-la e como o Tai Chi Chuan fortalece a mente e a alma de seus estudiosos.

Revista: Quais os benefícios que o Tai Chi proporciona ao seu praticante? Com quanto tempo já é possível notar a diferença no corpo?
Paulo Roberto Silva Santos: O Tai Chi Chuan é conhecido na China como a técnica da longa vida. A forma como são executados os movimentos, respeitando a dinâmica natural do corpo humano, harmonizando a postura o movimento e a respiração, enfatizando a flexibilidade para superar a rigidez e a suavidade para vencer a dureza, funciona como uma meditação em movimento, lubrificando e rejuvenescendo músculos, tendões e articulações. Hoje o Tai Chi Chuan é um dos principais pilares da medicina tradicional chinesa.

Revista: Existe um grau para passar de aluno praticante para mestre? Quanto tempo? Como acontece essa passagem?
Paulo Roberto: Um mestre de Tai Chi Chuan não se forma com menos de 20 anos de prática regular. É que para se chegar neste nível existem atributos internos importantes de domínio do movimento e da circulação da energia "Chi" no próprio corpo. Esta percepção de pleno controle da circulação do "chi" se dá de forma lenta, contínua e suportada por muita prática, mas pode ser percebida por um mestre em grau mais avançado. Na prática da família Chen ninguém se atribui o título de mestre. Um mestre é reconhecido por outros como tal.

Revista: Tem idade mínima para se praticar?
Paulo Roberto: No vilarejo da família Chen as crianças começam a praticar Tai Chi Chuan desde bem pequenas. O mestre Chen Ying Jun começou a praticar com seu pai desde os oito anos de idade.

Revista: Mulheres grávidas podem fazer o Tai Chi Chuan?
Paulo Roberto: Sim, desde que respeite a sua condição natural de gravidez. Tive muitas colegas grávidas de Tai Chi Chuan no Rio, que se beneficiaram da prática no parto, o trabalho postural e respiratório é muito benéfico e inclusive fortalece o bebê, com Chi que é gerado pela mãe.

Revista: É um exercício caro? Para termos um resultado é aconselhável praticar quantos dias por semana?
Paulo Roberto: O Tai Chi não exige acessórios especiais, apenas uma roupa confortável, calçados confortáveis e um ambiente tranqüilo e arejado, seja ar livre ou não. O valor das práticas normalmente é equivalente a de quaisquer práticas esportivas. No começo é recomendável que se pratique três vezes por semana, sendo duas sob orientação de um professor, e uma prática individual, até que o praticante se sinta naturalmente estimulado a praticar todos os dias.

Revista: quais são os lugares que você ministra suas aulas? Como fazer para participar?
Paulo Roberto: As aulas são realizadas na Rua Heráclito Muniz Barreto, n° 55, Bairro Luzia, durante as terças e quintas-feiras das 19 às 20h30. Meu contato é 88284349.   


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