Eduardo Andrade
Data:
22/06/2008
De fala calma e sorriso fácil, o jornalista televisivo, Eduardo Andrade, 25, vem despertando a atenção dos telespectadores, com sua forma séria e atual de fazer o jornalismo diário. Como repórter da TV Atalaia (afiliada da Rede Record), o jovem profissional já acumula uma importante experiência no ramo televisivo, pois desde a época da universidade já trabalhava naquilo que se propôs a fazer desde o início do curso: reportagem de rua e produção. Entrevistamos Eduardo para esta edição com o único propósito de aproximá-lo ainda mais de você leitor. Conversamos sobre a profissão, focando a televisão, e sem hesitação ele passou para o outro lado na notícia e se mostrou um entrevistado tão direto e compenetrado, quanto aparenta ser nas nossas tevês diariamente.
Revista: Você sempre quis ser jornalista?
Eduardo Andrade: Comecei a pensar jornalismo no colégio, durante uma aula de literatura. Estávamos concentrados quando entrou uma repórter, um cinegrafista e um iluminador, entrevistando os alunos. Quando cheguei em casa assisti à matéria e fiquei fascinado, porque de certa forma presenciei parte da confecção da reportagem. Acho que começou ali.
Revista: Por que o jornalismo televisivo? Já era uma idéia que você pensava em seguir desde a época em que cursava a graduação?
Eduardo Andrade: De forma alguma. No final do segundo período participei de uma Oficina de Telejornalismo, mas que era apenas para constar no currículo. Em um dos testes, a professora gostou e comecei a fazer reportagens para um telejornal da universidade, chamado Unit Notícias. Na época, não tinha noção de como era fazer matéria para tevê, mas comecei a estudar sozinho e acho que deu certo.
Revista: O que foi mais decepcionante para você como profissional de jornalismo?
Eduardo Andrade: A abordagem sensacionalista e superficial de algumas notícias. Nada, nem mesmo a arte, tem escapado dessa fórmula para se vender jornais e revistas.
Revista: É muito difícil se manter neutro e diariamente notamos diversos colegas de profissão palpitando em assuntos cabíveis apenas para autoridades especializadas. Na tevê isso é algo bastante condenável, mas em compensação no rádio é pratica "normal". Você mede suas palavras na hora de falar sobre certos assuntos ou acredita que jornalista deve ter um lado?
Eduardo Andrade: Não existe só um lado. O cuidado com o que se escreve ou se fala tem de ser fundamental. Uma matéria jornalística poderá sempre favorecer ou prejudicar uma determinada pessoa, dependendo do tipo de visibilidade que ela ofereça: positiva ou negativa. Embora jornalismo e propaganda sejam, sim, diferentes, ambas podem, no entanto, funcionar como fator de "convencimento" direto e/ou indireto. E aí surgem as conseqüências...
Revista: Qual o conselho que você pode dar para os estudantes que desejam trabalhar na tevê também? Aponte um caminho?
Eduardo: Não se pode esperar que um manual ou alguma fórmula pronta dê conta de resolver todas as dificuldades do profissional envolvido com o telejornalismo, uma vez que a capacidade de perceber e produzir a notícia tem muito a ver com o potencial de cada um. Visite uma emissora de televisão e tenha em mente que um bom repórter de TV é aquele que tem um texto criativo e uma boa dicção; a imagem (estética) se trabalha facilmente.
Revista: Aparecer diariamente na casa das pessoas acaba criando uma espécie de vínculo com as famílias. Já te pararam na rua? Qual a pergunta mais freqüente que você ouve?
Eduardo: (risos) Ficam impressionados com minha altura. (risos). Mas de modo geral, sãos as pessoas que estão comigo que percebem se alguém, por exemplo, está olhando porque reconheceu. Eu, honestamente, não percebo. Talvez seja a maneira que encontrei de me proteger para me sentir bem, tranqüilo e à vontade andando por aí. Sou igual a qualquer jovem da minha geração. O que me dá prazer é a minha casa, uma boa companhia e fechar uma matéria bonita.
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